Caio na realização. Não sou um só. Encontro um novo eu em cada pessoa com quem cruzo olhares. Estou sobre lotado. Não tenho tempo para conhecer, ou perceber, cada um de mim... Alguns, nem gosto, outros ainda tenho dificuldades em lidar.
Oh, duas vezes que a apanhei a observar-me atentamente. Duas vezes que cruzámos olhares... E como me gostei de conhecer nos olhos dela. Por fim, ela saiu. Era a paragem dela. E com ela me levou... Levou uma versão de mim com a qual eu queria muito ficar, apercebi-me. Confesso que me foi difícil dizer adeus a esse querido amigo que conheci subitamente e com o qual me identifiquei insuportavelmente, como por magia. Já no passado me recordo de conhecer vários semelhantes. Mas este, fiquei com o desejo ofegante de revê-lo num futuro próximo. Sem uma amizade destas, sinto-me partido, incompleto, sozinho e nu.
Acho que o amor, e talvez o que aparece à primeira vista, também é isto... O encontrar nos olhos da outra pessoa a versão que mais gostamos de nós próprios.