Brincadeira de intervalo

Não consigo explicar... Talvez alguém consiga. Certo é que este mundo não é para mim. Ou talvez não seja eu para este mundo. Caí aqui, com certeza, de uma algibeira rasa, e o dono não se preocupou em apanhar-me de volta, como se de um recibo de supermercado amarrotado se tratasse.

A dor de não poder existir num outro lugar onde não fosse um mero observador, mas no qual me deixassem ser de novo uma criança ingénua que ninguém exlcuí da brincadeira de intervalo e que nem o barulho irritante da campainha consegue perturbar a alegria de viver.

Se calhar, estou a exagerar e ainda não explorei suficientemente os cantos à casa. Posto isto, talvez seja mais sensato continuar a vasculhar até encontrar o meu, e aguardar aí até que o dono reconheça a minha importância e volte atrás para me apanhar.